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Exposição consagra a arte do distrito de Santa Rita de Ouro Preto

9 de julho de 2018 - 15:06 | por Sergio Sanches
Exposição consagra a arte do distrito de Santa Rita de Ouro Preto
Arte
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Neste mês de Julho, em Ouro Preto, a exposição ‘Vida é pedra e pedra é vida, aqui, a pedra é VIVA’ vai homenagear a força da produção em pedra-sabão do distrito de Santa Rita de Ouro Preto. A Casa de Tomás Antônio Gonzaga, casarão tombado no Centro Histórico da cidade, e aberto à visitação diariamente, vai receber peças e fotografias que irão revelar o universo dos artistas do distrito, que é polo da produção em pedra-sabão no Brasil.

Em Santa Rita de Ouro Preto, a relação dos artistas e artesãos com a pedra é mítica, e ultrapassa a finalidade econômica de sustento. A devoção deles à matéria-prima fica clara em suas falas: “a pedra é tudo pra mim”, “com a pedra criei meus filhos”, “a pedra fala comigo o que ela quer que faça nela”, “a pedra que paga as minhas contas”, “tenho gratidão pela pedra”.

É desse respeito ao imperativo da pedra que a produção dos artesãos e artistas se mantém por mais de século. ‘Vida é pedra e pedra é vida, aqui, a pedra é VIVA’ revela o inconsciente deste polo da pedra-sabão, e também o homenageia, ao explicitar a beleza da relação do trabalhador com a matéria-prima, e a força desta no distrito. Em Santa Rita, que está há 30km de Ouro Preto, a pedra se tornou sujeito, é pai, é mãe, é rei e rainha, é deus, é a vida dos artistas e artesãos.

A exposição começou a ser idealizada pela Consultora de Imagem e Comunicação, Carolina Coppoli, no ano passado, e, este ano, pela professora da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Tays Torres, ao desejar dar uma contrapartida aos artesãos, pois esta relação do trabalhador com a pedra-sabão foi o objeto da sua tese de doutorado. As duas profissionais que se conheceram por meio do artista do distrito, Fábio Dias Boa Ventura, logo uniram seus projetos quando entenderam que o propósito dos dois era o mesmo, e estavam conectados em essência, pois ambas enxergavam a intensidade e a dignidade desta relação do trabalhador com a pedra-sabão em Santa Rita de Ouro Preto.

Naturalmente resistente, por suportar temperaturas extremas, a pedra-sabão se tornou ainda mais significativa no país pelas mãos do patrono das artes do Brasil, Francisco Antonio Lisboa, o Aleijadinho. Em suas mãos, a pedra-sabão ganhou status de nobreza e se tornou matéria-prima das artes no período colonial. Com ela, Aleijadinho esculpiu algumas de suas principais obras-primas, a portada da Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto, e os Doze Profetas, em Congonhas do Campo. Sem dúvida alguma, Aleijadinho, entre tantos feitos na arte brasileira, também pode ser considerado o pai do mito pedra-sabão, o criador deste deus que, até os dias de hoje, inspira artistas e artesãos de Santa Rita de Ouro Preto.

 

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