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Fórum das Letras traz a literatura em diálogo com outras artes

25 de outubro de 2018 - 10:06 | por Sergio Sanches
Fórum das Letras traz a literatura em diálogo com outras artes
Cultura
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Evento será realizado de 1º a 4 de novembro, com o tema “Emergências: Literaturas e Outras Narrativas” e homenagem aos poetas Guilherme Mansur e Paulo Leminski

Tudo pronto para mais uma edição do Fórum das Letras de Ouro Preto. O evento literário, que anualmente toma conta da cidade barroca com debates, exposições e apresentações artísticas voltadas para adultos e crianças, será realizado entre os dias 1º e 4 de novembro. Com o tema “Emergências: Literaturas e Outras Narrativas”, o encontro homenageará os poetas Guilherme Mansur e Paulo Leminski. Em 2018, a curadoria será assinada pela coordenadora Guiomar de Grammont em parceria com o Sesc. A realização do evento, cuja programação é inteiramente gratuita, é da Universidade Federal de Ouro Preto.

Guiomar destaca que a realização do evento, este ano, é especialmente importante. “Estamos em um momento de emergências na história do Brasil, em que todos os nossos valores estão sendo colocados em xeque. Quem somos nós? O que queremos?  Para onde vamos? Novamente, o Fórum da Letras coloca em discussão as grandes questões do presente, tais como democracia e memória, raça, gênero, territorialidade, futuro, patrimônio e urbanidade. O Fórum das Letras propõe, mais uma vez, como resposta a esses desafios, a radicalidade da poesia e das literaturas, no plural, porque compreendidas na diversidade dos grupos que se expressam através delas no tempo e no espaço.  Nesse caso, as literaturas só podem ser pensadas articuladas com outras narrativas, que se apresentam como espaços de discussão e resistência, perante os desafios éticos e políticos que se desenham para o nosso tempo”, afirma.

De acordo com a gerente geral de Cultura do Sesc, Eliane Parreiras, ao se parceirizar com o Fórum das Letras, o Sesc busca humanizar e alimentar o pensamento sobre nossa realidade, promovendo também oportunidades de acesso a uma programação cultural múltipla, dinâmica e com atividades formativas e de reflexão sobre a nossa Cultura. “Além de proporcionar a continuidade de um projeto da relevância do Fórum das Letras, neste ano temos a alegria de enriquecer a nossa programação com as Edições Sesc São Paulo, que contribui com seu vasto e rico acervo e viabiliza a presença de importantes escritores da cena atual. Por meio de parcerias como esta, o Sesc acredita ser possível constituir uma forma de expansão de conhecimentos, práticas simbólicas e estéticas, de inclusão e integração social, de exercício da cidadania e de geração de renda e atividades econômicas”, disse.

HOMENAGEM

O ouro-pretano Guilherme Mansur é personagem de fundamental importância na história do Fórum das Letras. O tipoeta, como era chamado pelo concretista Haroldo de Campos, já participou de diversas edições do evento, com exposições, lançamento de livros e com a tradicional “Chuva de Poesia”. Recebe, agora, justa homenagem, ao lado do curitibano Paulo Leminski, falecido em 1989, de quem foi amigo pessoal. “Recebi a notícia desta homenagem com muita alegria, principalmente por estar ao lado de um poeta que sempre me foi muito caro e dono de uma obra que admiro tanto. A poesia, para mim, representa a única saída possível, principalmente em momentos duros como o que estamos vivendo”, afirma.

Neste sentido ele cita, como exemplo, o poema “ameixas / ame-as / ou deixe-as”, feito por Paulo Leminski em contraposição ao slogan “Brasil, ame-o ou deixe-o”, criado pelo governo militar, durante a ditatura. A obra faz parte da exposição “Silêncio Lascado – Guilherme Mansur & Paulo Leminski”, que integra o evento. “É curioso notar como a história se repete. Este poema foi escrito no período do AI-5. Agora estamos à volta com toda esta discussão a respeito do período militar. É lamentável a capacidade que as pessoas têm de se esquecer da brutalidade. A poesia serve como um antídoto para tudo isso, é a forma de te tirar deste lugar e te levar para outro”, reflete.

“Leminski foi um poeta de ‘dizeres tão calares’, em suas próprias palavras. Era rápido no gatilho, muito inspirado, dono de pérolas poéticas carregadas de erudição e coloquialismo. Foi também ensaísta, tradutor, letrista e músico. Esta exposição – na forma de “circuladô” de poesia – montada com cartazes lambe-lambe (aqueles dos anúncios de circo), agrupa doze poemas concisos – esta a marca dos autores”, explica a coordenadora, Guiomar de Grammont.

 

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