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O Declínio do Patriarcado em Oswald de Andrade

16 de abril de 2018 - 08:29 | por Redação
O Declínio do Patriarcado em Oswald de Andrade
Arte
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A Academia Mineira de Letras, em parceria com a Escola Brasileira de Psicanálise – Seção Minas Gerais (EBP – MG), realiza no dia 18 de abril, às 19h30, a palestra “O Declínio do Patriarcado em Oswald de Andrade” com o psicanalista Sérgio de Castro e a multiartista Beatriz Azevedo. Este é o segundo encontro do programa “Lacan na Academia – Conversando com a Literatura”, com a participação de importantes psicanalistas e convidados, que pretendem abordar as interseções entre a literatura e a psicanálise.

Nesta primeira edição do programa serão quatro encontros sob o tema “O feminino, seus corpos e mundos”, por meio da leitura de autores brasileiros, do século XX, que permitirão levantar o véu do prenúncio da expressão do feminino fora das bordas e bordados da intimidade do lar.

Sérgio de Castro e Beatriz Azevedo abordarão conceitos do Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade, articulando especialmente os questionamentos do binômio patriarcado/capitalismo, e a criação do matriarcado de Pindorama enquanto inversão do vetor colonial e crítica aos modelos patriarcais da sociedade ocidental.

A Antropofagia enquanto rito ameríndio e metáfora cultural coloca o corpo no epicentro da linguagem e vive em todos nós, não como passado ancestral a ser recuperado, nem enquanto “identidade nacional”, mas como uma dimensão vital e necessária, fonte matriarcal de desejo lúdico que questiona as dominações patriarcais do estado, da família, da religião, da lógica, e da gramática.

Com a sensibilidade de um artista que, segundo Freud, sempre antecede a dos psicanalistas, Oswald de Andrade percebeu (e celebrou) o declínio do patriarcado e a consequente feminização do mundo. Tal temática, que os psicanalistas chamam de declínio do Nome-do-Pai, abre fecundas possibilidades de interlocução com as elaborações tardias de Jacques Lacan.

Na noite do evento, haverá também o lançamento do livro “Antropofagia Palimpsesto Selvagem” (Cosac Naify), de Beatriz Azevedo com prefácio do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro e desenhos originais do artista Tunga, e do disco “antroPOPhagia ao vivo em Nova York”, lançado no Brasil pela Biscoito Fino, e pela gravadora Discmedi na Europa.

Sobre os palestrantes:

Sérgio de Castro

Membro da Escola Brasileira de Psicanálise e da Associação Mundial de Psicanálise. Mestre em Letras pela UFMG é também autor do livro: Antropofagia, matriarcado e psicanálise.

Beatriz Azevedo

Doutora em Artes da Cena pela UNICAMP e Mestre em Literatura Comparada pela USP. Estudou música no Mannes College of Music em Nova York e dramaturgia na Sala Beckett em Barcelona. Multiartista brasileira recebeu a Bolsa Virtuose para Artistas, do Ministério da Cultura. Escreveu Antropofagia Palimpsesto Selvagem (Cosac Naify), lançou o disco “antroPOPhagia ao vivo em Nova York”, gravado no Lincoln Center. Composições de Beatriz Azevedo foram gravadas por Adriana Calcanhotto, Celso Sim, Tom Zé, Vinicius Cantuária e Zé Celso, entre outros. Além de criar parcerias musicais com Augusto de Campos, Cristovão Bastos, Vinicius Cantuária, Zélia Duncan, entre outros, Beatriz também musicou textos de Hilda Hilst, Oswald de Andrade e Raul Bopp.

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