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Orquestra de Câmara de Ouro Branco se apresenta em Ouro Preto

16 de Maio de 2018 - 11:34 | por Sergio Sanches
Orquestra de Câmara de Ouro Branco se apresenta em Ouro Preto
Arte
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Grupo formado por jovens músicos realiza concerto nos dias 20 e 21 de maio, respectivamente na igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos (Ouro Preto) e na Matriz de Santo Antônio (Ouro Branco)

A Orquestra de Câmara de Ouro Branco, grupo pertencente à Casa de Música de Ouro Branco, dá continuidade à série de concertos que realiza por Minas Gerais no Circuito Cultural 2018. O grupo se apresenta no dia 20 de maio (domingo), na igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, em Ouro Preto, às 17h, e no dia 21 de maio (segunda-feira), na Matriz de Santo Antônio de Ouro Branco, às 20h. A entrada para os dois concertos é gratuita.

Criada em 2001, a Orquestra de Câmara de Ouro Branco é formada por cerca de 20 alunos das oficinas de instrumentos da Casa de Música de Ouro Branco. Um dos objetivos do jovem grupo jovem é valorizar e incentivar a composição contemporânea de música erudita, além de apresentar também um repertório que abrange compositores dos mais diversos períodos.

Com regência de Marcos Silva Santos, a Orquestra de Câmara de Ouro Branco escolheu um repertório bem diversificado para estes concertos.

O programa tem início com os três movimentos da Sinfonia – Opus 3 nº1- em Ré maior, de Johann Christian Bach. “Talvez por ter sido o filho mais novo de Johann Sebastian Bach, Johann Christian tenha se distanciado mais estilisticamente do pai do que seu irmão, Carl Philipp Emanuel”, explica o regente. Johann Christian escreveu sinfonias ao longo de toda sua vida e foi um dos compositores que mais contribuiu para que este gênero, antes muito identificado à função abrir óperas e cantatas, se desenvolvesse como peça de concerto independente.

A peça seguinte é   Prelúdio e Fuga nº2 em Sib maior (1819-1896), de Clara Schumann. Logo em seguida, o grupo apresenta  Serenade nach schwedischen Melodien (1838- 1920), de Max Bruch. As circunstâncias envolvidas na composição dessa obra de Bruch ainda hoje são muito incertas, como explica Marcos. “Essa composição é claramente uma adaptação para cordas de uma Suíte para grande orquestra que foi estreada em 1906. No entanto os manuscritos de ambas as obras foram perdidos. O fato é que uma cópia da Serenata foi encontrada incompleta no gabinete de Bruch na Berlin Hochschule für Musik logo após sua morte e curiosamente somente ganhou sua primeira publicação em 1997”, relata.

Se a Serenata de Bruch quase não chegou até nós pela perda de seu manuscrito, também a música de Clara Schumann correu riscos de não se efetivar. “Embora Clara Wieck tenha realizado seu primeiro concerto como pianista aos cinco anos e composto sua primeira peça aos 11, sua atividade como compositora diminuiu consideravelmente após seu casamento com Robert Schumann, com quem teve oito filhos e de quem incorporou o sobrenome”, afirma Marcos. O dilema que viveu Clara Schumann foi assim resumido por ela mesma: “Eu pensei um dia ter talento criativo, mas desisti, uma mulher não deve pretender ser compositora…”.

A Orquestra encerra o concerto com Bachianas Brasileiras No 4 – Prelúdio, de Heitor Villa- Lobos (1887-1959). “Um traço muito característico desse prelúdio, que talvez contribua para seu potencial afetivo-comunicativo, está no diálogo melódico entre a linearidade aguda e os contracantos graves, remetendo ao procedimento do chorinho tão tipicamente brasileiro”, conclui o regente.

 

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