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Titane canta Elomar – Na Estrada Das Areias de Ouro

6 de novembro de 2018 - 01:02 | por Sergio Sanches
Titane canta Elomar – Na Estrada Das Areias de Ouro
Cultura
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Após Belo Horizonte, no Rio de Janeiro e também nas cidades de Diamantina, Divinópolis e Araçuaí, a circulação deste show em 2018 será finalizada na cidade de Ouro Preto, em única apresentação dia 10 de novembro, na Casa da Ópera.

A cantora Titane em seu novo disco adentra a estrada das areias de ouro e se dedica inteiramente às composições de Elomar. É o primeiro álbum da música brasileira em que a obra elomariana é apresentada por uma voz feminina. Também é a primeira vez que ela produz um disco dedicado a um único compositor.

Titane canta o mundo encantado de Elomar, o mundo da natureza humana no que ela tem de mais profundo, mas também de inquieto, dolorido e cheio de beleza. O jornalista Flávio Paiva define bem esse encontro de Titãs ao publicar que “Titane canta junto com as notas cada pulsão do coração brasileiro, permitindo com sua interpretação de inseto raro canoro a apreciação inteligível da qualidade das estruturas poética e musical dessa fonte instigadora de contemplação e de mergulho nas nossas entranhas medievais, que é a magnífica obra de Elomar” (Flávio Paiva, Jornal O Povo, 27/03/2018)

O show “Titane canta Elomar – Na Estrada Das Areias de Ouro” apresenta a íntegra do repertório gravado em CD e aposta no formato acústico que remete tanto à sofisticação das formações camerísticas quanto à simplicidade de um recital de música popular. A arquitetura dos arranjos valoriza a imponência da voz em estado bruto. Após prestigiados lançamentos em Belo Horizonte, no Rio de Janeiro e também nas cidades de Diamantina, Divinópolis e Araçuaí, a circulação deste show em 2018 será finalizada na cidade de Ouro Preto, em única apresentação dia 10 de novembro, na Casa da Ópera.

Cruzando referências dos negros trazidos para trabalhar no garimpo do ouro e do diamante no Sudeste com a herança hibérica disseminada pelos europeus no Nordeste brasileiro, o encontro da cantora mineira da cidade de Oliveira e do compositor baiano de Vitória da Conquista promove uma aproximação de universos diferentes, mas complementares, do ancestral com o contemporâneo, do sertão com o cerrado.

A obra de Elomar é um portal entre dois universos, dois mundos distintos, uma fenda no espaço-tempo para penetrar em um imaginário mítico-poético atemporal. A localização geográfica habitada por seus personagens pode ser visualizada facilmente nos mapas, na divisa entre o norte de Minas e o sudeste da Bahia, mas através do prisma elomariano tudo parece transmudado e se desvela um outro universo.

Titane por sua vez, pautou sua carreira pelas escolhas rigorosas, do repertório aos arranjos, tudo sempre foi feito de forma a desafiar os limites de sua interpretação, sustentada por uma voz afiada como lâmina. Seu caminho até aqui é único e seus passos sempre foram firmes a ponto de transformá-la numa das mais importantes intérpretes brasileiras. Ela agora se embrenha nas estradas das areias de ouro, no sertão profundo, provavelmente um de seus maiores desafios, trazendo de sua viagem ecos de outrora, visagens do futuro, regalos do presente.

SOBRE ELOMAR

Compositor, violonista e cantor, Elomar Figueira Melo nasceu na cidade baiana de Vitória da Conquista e aprendeu a tocar viola ainda garoto. Gravou seu primeiro compacto em 1968, um disco independente com as faixas autorais O Violeiro e Canção da Catingueira.

Boa parte de seus  textos musicais são escritos em linguagem dialetal sertaneza (sic); título de linguagem atribuída por ele mesmo. Com sua forma autêntica de tocar o violão, muitas vezes alterando a afinação do instrumento, Elomar se tornou uma grande referência na música brasileira. Sua proposta poética revela e faz alusões permanentes a valores artísticos fundados nas tradições européias, sobretudo, as medievais e ibéricas, assim como ao universo judaico e cristão.

Surgem assim em seus poemas cavaleiros, nobres intrépidos, donzelas, princesas, menestréis, castelos, corcéis e valores como honra, coragem e amor. Para narrar esse imenso universo, ele utiliza formas clássicas da cultura erudita como o romance, épicos, autos e antífonas. No entanto, todo esse mundo é filtrado e recriado pelo imaginário sertanejo nordestino. A cultura oral e popular, assim, se impõe para contar as histórias da gente do sertão.

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