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Tragédia de Mariana retratada em montagem do Grupo Teatro Andante

27 de novembro de 2018 - 15:08 | por Sergio Sanches
Tragédia de Mariana retratada em montagem do Grupo Teatro Andante
Arte
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Espetáculo ”LAMA”  terá apresentações gratuitas em Mariana e Barra Longa. A montagem reúne fragmentos documentais e ficcionais sobre o impacto humano do maior desastre ambiental da história do país.

No mês que marca os três anos do rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais, os moradores da região poderão ver a própria história ressignificada por meio do teatro. Trata-se da nova montagem do Grupo Teatro Andante, “LAMA”, elogiada pela crítica em sua curta temporada de estreia, em junho deste ano, e que terá duas apresentações gratuitas nos dias 30 de novembro, em Mariana, e 1º de dezembro, em Barra Longa.

Fruto de uma intensa pesquisa sobre o incidente e de uma experimentação que mescla diversas linguagens artísticas, o espetáculo tem direção de Marcelo Bones e é encenado por Ângela Mourão, Bruna Sobreira e Thiago Amador (ator convidado). “Estamos falando de relações humanas e do impacto do indivíduo sobre o ambiente em que se insere e vice-versa. Especialmente, nesse momento, nossa responsabilidade é imensa ao levar esse trabalho às pessoas que viveram na pele tudo isso”, analisa o diretor.

As apresentações do espetáculo em Mariana e Barra Longa têm o patrocínio do BDMG Cultural e da Cemig, além do apoio do Hotel Providência.

Sobre o espetáculo

O que nós podemos fazer por essa memória? O que nós podemos fazer para que não exista uma nova Bento Rodrigues soterrada e um rio morto? De que forma isso nos afeta? Como lidamos  com  essa  situação?  Lidamos?  Essas foram as indagações  presentes  no  processo  criativo dos atores. “Estamos a pouco menos de 200 km do rio Doce, e para nós já é fácil nos deixar esquecer e seguir em frente. Não encontramos solução para esses questionamentos, mas entendemos que ampliar a memória coletiva sobre essa história pode é parte da resistência”, ressalta a atriz Bruna Sobreira.

No processo de pesquisa, passando por contos de Marcelino Freire, escritor contemporâneo brasileiro, o grupo se deparou com uma história, na qual um homem solitário, que tinha sido afastado do lugar onde vivia, voltava a ele e não o reconhecia, encontrando-o destruído. “A partir daí começamos a trabalhar sobre a memória – o lembrar e o esquecer – e sobre o impacto de perder seu lugar, sua querência (para citar Galeano com seu lindo mini-conto). Rapidamente aproximamos de Mariana e sua terrível tragédia, que a todos nós havia tocado de alguma forma. Concluímos que precisávamos falar sobre isso”, relata a atriz Ângela Mourão.

Construído em diálogo criativo com importantes artistas de diversas áreas, o espetáculo experimenta uma nova linguagem para o grupo, que une movimento, composição, sonoridade, vídeo e texto, com uma abordagem dramatúrgica documental e contemporânea. O Grupo Teatro Andante ousa em reunir pessoas distintas em torno de um projeto de espetáculo. “A ideia inicial era trabalhar com pessoas de linguagens diferentes para que uma narrativa fosse contada por vários ângulos, tensões e códigos; Teatro, Música, Cinema e Dança. Veio a Lama e fomos impactados, depois ao pisar nela, sensibilizados a nos colocar a serviço daquelas pessoas, daquele acontecimento”, ressalta o ator Thiago Amador.

 

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