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Vale, afundada na lama, fez campanha para tentar limpar imagem

20 de março de 2019 - 12:48 | por Redação
Vale, afundada na lama, fez campanha para tentar limpar imagem
Tragédia em Brumadinho
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Em anúncios publicitários divulgados até a noite desta terça-feira (19) em veículos de comunicação de São Paulo e Rio de Janeiro, a mineradora (melhor se fosse chamada de garimpeira), ludibria informações na tentativa de “limpar” sua imagem.

Ribeirinho observa desolado a morte do rio Paraopeba Foto: Vatican News

Posta a nú  após os crimes cometidos em Mariana e Brumadinho, com centenas de mortos, milhares de desalojados,  além de incalculáveis prejuízos às comunidades atingidas, ao meio ambiente e às economias locais, a “ garimpeira” parece não ter sensibilidade com os prejuízos causados em toda a região, como queda do valor dos imóveis nas áreas de sua atuação  e aos danos sociais e psíquicos causados a todos, às vítimas e seus familiares.

Destruição no distrito de Bento Rodrigues-Mariana Foto: Antônio Cruz Abr

Na peça publicitária, e empresa fala em respeito, transparência e trabalho para reparar danos após as tragédias e crimes cometidos.

Cita que forneceu medicamentos, alimentos, transporte e  infraestrutura em treinamentos de ponta para ajudar e treinar  a Defesa Civil e Corpo de Bombeiros, aos quais alardeia que fez  doação de R$ 20milhões .

De acordo com a publicidade veiculada no eixo Rio-São Paulo, cerca de 6.000 servidores destas corporações foram capacitados com recursos da  “mineradora”.

Por fim, afirma que “está escrevendo uma nova história para Brumadinho”.

Esta é uma verdade indiscutível. Com o crime da Mina do Feijão, a Vale cravou sua nome na história, não somente em Brumadinho, como incompetente, desumana e sanguessuga das riquezas minerais Brasil afora e dos municípios onde atua.

Na publicidade, a Vale ainda tem a coragem de agradecer.

Bombeiros carregam vítima do crime da Vale em Brumadinho Foto Ricardo Stuckert

Agradecer a  quem, indagamos: Á “Justiça”, via Superior Tribunal de Justiça (STJ)  que soltou os responsáveis pelas tragédias, todos colaboradores da empresa  ou de suas contratadas?  À mesma “Justiça” que não bloqueia recursos da Vale para pagar dívidas de multas não quitadas pela empresa,  decorrentes das tragédias de Mariana e Brumadinho?  Ao seu “ presidente afastado”, Fábio Schuwartzman,  que protela depoimentos às autoridades? Aos  seus acionistas, ávidos somente pela  ganância? Aos mortos pelas tragédias e seus familiares?

Rio Doce morreu com a tragédia de Mariana Foto: Fred Loureiro Secom/ES

As comunidades afetadas, ribeirinhas, o Rio Doce, Rio Paraopeba e todo o ecossistema  destruído não querem agradecimentos e sim mais responsabilidade da Vale em todas suas ações.

Em Tempo: A peça publicitária não foi veiculada nesta quarta-feira (20) Foto capa: Ricardo Stuckert

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